"Uma perspectiva existencial permitiu-nos, pois, compreender como a situação biológica e econômica das hordas primitivas devia acarretar a supremacia dos machos. A fêmea, mais do que o macho, é presa da espécie; a humanidade sempre procurou evadir-se do seu destino específico; pela invenção da ferramenta, a manutenção da vida tornou-se para o homem a atividade e projeto, ao passo que na maternidade a mulher continua amarrada ao seu corpo, como o animal. É porque a humanidade se põe em questão no seu ser, isto é, prefere as razões de viver à vida, que perante a mulher o homem se pôs como senhor; o projeto do homem não é repetir-se no tempo, é reinar sobre o instante e construir o futuro. Foi a atividade do macho que, criando valores, constituiu a existência, ela própria, como valor: venceu as forças confusas da vida, escravizou a Natureza e a mulher."
Simone de Beauvoir, em O Segundo Sexo (p. 104)
0 comentários:
Postar um comentário