23/01/2012

Pesadelo de sonho

Eu invadi sua casa, pulei sua janela, olhei, olhei, olhei. Procurei retratos de moças esbeltas, resquícios de um novo amor. Não sei se encontrei...
De repente ouvi a maçaneta rodar e meu coração fez moradia breve na garganta. Por um rápido contar de segundos tentei esconder-me atrás da porta, mas você a abriu. E me viu.
Eu, na sua casa, sem você, depois de tanto tempo, depois de tudo o que você me disse, eu retornei. Eu, na sua casa, sem você. Mas você chegou.
Fiquei à espera de um esporro, de patadas bem dadas. Mas você sorriu. E eu disse:
_ Desculpa, eu invadi sua casa.
Você então me abraçou, contrariando todos os meus paradigmas. Você me abraçou tão forte que me desarmou. Porque você não portava armas.
Apareceram duas amigas, também na invasão da sua casa, e outros você que já não eram você. Eu me perdi no meio de tantas faces.
Mas você me resgatou e conversamos sentados na mureta do seu prédio. Eu tentava ligar o carro pra fugir, mas falhava, falhava sempre. Uma parte de mim queria estar mil milhas distante, mas eu estava toda lá, entregue, como estive a vida toda.
Alguns outros medos me assombravam, mas nada se comparava ao nervoso que essa paixão me causava. Você me abraçou mais e foi tão bom sentir seu cheiro de novo. Ter seu corpo grande a apertar o meu, pequeno. Foi tão bom sentir sua barba raspar nas minhas bochechas, fininhas.
Fomos pro quarto, pro seu quarto, que estava exatamente da mesma forma, embora com muitas diferenças. Essas diferenças talvez sejam criadas pelo ângulo de visão... Dessa vez eu via de cima imagens misturadas e invertidas, criadas por mim num suplício de tentar fazer viver o que eu tento matar.
Nos beijamos, te beijei. E só. De repente você já não era você e não me queria mais. E eu tentei invadir sua casa de novo, mas as janelas estavam sempre trancadas.
Eu acordei de um pulo na cama, com o coração remexido, numa angústia disfarçada de alegria. Até agora repudio essa parte de mim que não quer te esquecer, num momento em que eu já quase não me recordava  e estava tão bem! Mas volta, sempre volta... É só baixar a guarda que a saudade galopa o cavalo selvagem que existe dentro de nós.
E agora, eu faço o quê? Tento matar a mim mesma que deveria no mínimo sentir raiva de você.

3 comentários:

Gaijin Virtual disse...

Pretinha,

Não sei se vocês dois ainda são amigos. Caso não sejam, procure recomeçar nesse quesito... Amizade é a base para todo relacionamento sólido, desinteressado e altruísta!

Tenta afastar a carência, o medo e o orgulho que, nesses momentos, mostram-se tão limitantes, castradores das nossas melhores intenções. São eles, dentre outras sombras, insistentemente por nós arrastadas, que nos transformam em seres tão arredios, entregues à uma aitude sempre defensiva.

Na maoria esmagadora das situações, para terminar um conflito, basta apenas que uma das partes saia de trás da trincheira e leve uma bandeira branca consigo para acená-la no meio da praça.

Mas, há que se acenar essa mesma bandeira, antes, denro de nós mesmos...

Primeiro, cessa esse conflito dentro de você, o quanto antes, perdoando-o e se perdoando. Assim, desarmada emocionalmente, ele vai recebê-la de braços abertos!

Tenho por certo que ele ainda guarda muito carinho por você!

Coragem pequena! O amor sincero é a maior proteção de quem quer que seja!

Segue o curso do rio. Deixa fluir com espontaneidade os sentimentos e não temas a incompreensão.

Possa o teu amor por ele, preencher as lacunas que trazes em teu íntimo, afugentando o egoísmo e o receio da rejeição!

Um beijão e muita paz para vocês dois!

_

Tatinha disse...

Não importa o que aconteça sempre estarei com você ! Te amo e estou com muuuitas saudades !

Tainá Holanda disse...

O problema é que nunca existiu nada entre duas pessoas. Sempre fui eu me doando cem por cento. A cada encontro sabia que podia ser o último, e de fato foi. E a forma com que fui avisada que seria o último foi foda.

Tata, também te amo muito! Eu tenho certeza que você vai estar comigo sempre e essa certeza me acalma.

Beijos enormes pra vocês, queridos!