domingo, 8 de novembro de 2009

Samba azul do céu

Cantando
Percebo que a melodia vem me amando
Direta ou indiretamente
Distorcida, mas contente

Conte-me!
Conte-me tudo o que ouviu
As cartas, as falas, os gritos
Aquilo tudo que não repetiu
Por medo,
Anseio.

Caso roube-me
Devolva-me
Não só minha voz
Como minha essência
Nada menos que
Minha existência

Não te digo nada
Porque se dissesse,
Teria de gritar
Simplesmente pelo fato
De te fazer escutar
As lindas metáforas existentes
Nessa canção que vem do mar.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Crise

Junto da falta de palavras
e momentos
As entrelinhas se empobrecem
Forças terríveis -
Talvez as mesmas que tiraram
Jânio Quadros do poder -
fazem com que uma onda de insensatez
engula-me por inteira
E que a mágoa seja profunda,
profunda.
Como que
se de paixão se fizesse política,
E de política se fizesse paixão.

domingo, 30 de agosto de 2009

Do peito II

Por que fazem isso comigo? Diógenes diria que arrancam-me o que não me podem dar. Já eu (por que falar de mim quando já não sou lembrada?) diria que é a vontade de machucar-se, ou então, de machucar outrem. Mas eu não sei. Ele, acima de tudo, é alguém amável. Até as palavras me fogem. Esse "me" não passa dum pronome egocêntrico, afinal, que palavras são essas as minhas? Nada é meu. É isso, pelo menos, o que percebo. Com tristeza. Tudo nos é dado por um momento. Tudo é mutável. Incompreensível. Assim como eu? Não. Eu quero o que quero desde o começo. Neste aspecto, fujo de minha vida de "metamorfose ambulante". Mas faço jus à minha de canceriana. Ver que as coisas são assim e pronto. Por que mudá-las? E, pior, por que fazer o que se quer? (Ou já não se quer nada... Embora tudo...) Entendo que "mais importante do que as respostas são as perguntas", mas dessa vez eu realmente queria respostas. O silêncio liberta e delimita, como disse outrora. Eu o amo, caralho.

Do peito

Deixei passar a ronda lenta
De muitas luas,
Mas a minha tristeza não diminuiu...
Longe, longe,
O céu agora é deserto,
Como se houvesse morrido,
Como se houvesse acabado...
Sozinha, no meu luto,
Ergo as mãos,
Cheias de lágrimas,
Em oferenda...

Cecília Meireles

domingo, 16 de agosto de 2009

Sobre árvores apaixonadas

O silêncio que não só liberta a alma, como a delimita. Quiçá saberás se bom ou ruim. Acompanhado sempre duma dor que corrói tudo por dentro. E por fora. Mas há medo de escutá-lo. Principalmente nesta poluição sonora em que vivemos. Momento algum estamos nos escutando. Sempre aos outros. Quiçá, também, saberás se bom ou ruim. Bom quando as pessoas são especiais; aí dá gosto ouvi-las. E pra essas pessoas, que no caso figuram um plural apenas por requinte quando todos sabem que não se passa de um ser, fazemos tudo. E sem arrependimento algum. Juramos o que não podemos cumprir. Nós falamos muito.
Até quando seremos podados feito árvores cuja liberdade consiste em manter-se vivo?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Caetano

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Chamando

Semanas duras, chorosas. Semanas de tempo parado; tempo sem tempo; depressão. Mas eis que surge algo. Agora a alma se divide na saudade e no alívio. E, no desejo e na loucura. Esses dois, pelo contrário, estão mais juntos do que nunca.
Eu só te quero comigo. E daria tudo, tudo que eu tenho pra isso.